11 de dezembro de 2010

Pub Rock

Dr. Feelgood
Segundo a Associação de Pubs da Inglaterra, atualmente são 54 mil no Reino Unido, onde 15 milhões de pessoas bebem ao menos uma vez por semana, emprega diretamente 600 mil pessoas e gasta em torno de 70 mil libras por ano com sua manutenção. Se fossemos comparar com o Brasil seria o nosso boteco. O pub é o boteco inglês.

O pub rock é simples. Nasceu com esse propósito. A postura, a energia e o modo como se vestiam, tudo isso acabou por influenciar o punk rock. É uma cena inglesa que nasceu e fincou bandeira em Londres. Seus shows eram intensos e todos usavam roupas normais do dia-a-dia, mesmo amassadas e sujas.

Inclusive antes do punk rock dizer, em 1976, que estava cansado do rock progressivo, o pub rock não gostava desse rock rebuscado e longo já em 1972.

Kilburn & The High Roads
Essa cena exclusiva inglesa surgiu com a intenção de recuperar as verdadeiras raízes do rock, esquecidas pelo progressivo. E assim foi-se buscar principalmente o blues, a country music e o rock’n’roll dos anos 1950. Seu ápice foi entre 1972 e 1975. Ou seja, é uma cena inglesa com sonoridade muito próxima a americana, por conta de suas influências.

A denominação pub rock vem dos shows que só aconteciam em pubs, claro. Fazia parte esse clima mais intimista que os pubs proporcionavam aos shows que eram regados a cerveja e whisky. Isso também contribuiu para resgatar entre os jovens ingleses daquela época o orgulho da tradição dos pubs. O pub rock também levou mais movimento para o pubs do interior. Com o surgimento de mais bandas, um circuito entre eles foi criado. Grande parte das bandas e dos principais pubs ficava em Londres e nesse período do auge da cena, se fosse fazer uma lista só com as principais bandas, daria ao menos uns 10 nomes.
The 101ers

Em termos de sonoridade, não há no pub rock um padrão. Tudo girava em torno dos gêneros que já citei. Uma banda podia ser muito mais blues e outra muito mais country, mas eram unidas pelas raízes e pelo pub. Algumas das bandas soam rockabilly, bem ao estilo Jerry Lee Lewis e Chuck Berry; outras são puramente folk, outras chegavam a compor soft rock. Cada uma com sua particularidade. Ou as bandas tinham uma pegada mais blues e folk, como o que rolava em San Francisco e em outros centros hippies, ou era mais rock'n'roll como Dr. Feelgood, Ian Dury, Nick Lowe, Elvis Costello, Graham Parker e The 101'ers.

Chilli Willi & The Red Hot Peppers
Dave Edmunds, Eddie & The Hot Rods e The 101'ers (ex-banda de Joe Strummer do Clash) eram mais puxados para o rockabilly; o Chilli Willi & The Red Hot Peppers e Eggs Over Easy são mais country (Chilli Willi parece aquelas bandas do velho oeste americano que tocavam em Saloon); o Duke Deluxe e o Dr. Feelgood já são mais blues elétrico e nervoso. Tem os artistas solos como Elvis Costello, Ian Gomm, Ernie Graham (folk hippie), Graham Parker (Costello e Parker têm sonoridades bem próximas) e o já citado Dave Edmunds, todos eles mais influenciados pelo rock, incluindo aí os Sixties (Who, Kinks, Beatles, Stones, Small Faces). Há as bandas mais calmas e diferentes como Ace, Brinsley Schwarz (ex-banda de Nick Lowe), Help Yourself, Kursaal Flyers e Kilburn & The High Roads (ex-banda de Ian Dury). Essa última já tinha outras influências como o jazz e o ska/reggae, e foi uma das pioneiras desse circuito. Essas outras ditas calmas tinham mais violão e baladas folk blues, folk country e soft rock.

Foto promocional da Stiff Records
Todos os jovens ingleses que estavam começando a tocar em meados dos anos 1970 beberam na fonte do pub rock, pouco na sonoridade e muito na postura. Até mesmo o então novo ska da cena two tone nesse ponto fortemente influenciado pelo pub rock. Madness e The Specials são dois exemplos.
Ducks Deluxe

O maior nome entre elas era Dr. Feelgood, também minha preferida juntamente com Ian Dury (tem post dele aqui no blog). Em segundo lugar vem Nick Lowe. Também gosto de Graham Parker, Ace e Help Yourself, mas não chegam aos pés de Dr. Feelgood, Ian Dury e Nick Lowe. Inclusive o Dr. Feelgood com o guitarrista Wilko Johnson e o vocalista Lee Brilleaux (morreu de câncer em 07 de abril de 1994 poucos dias após a morte de Kurt Cobain), foram figuras fundamentais para que a sonoridade do Dr. Feelgood se tornasse a marca registrada do pub rock. O som da guitarra de Wilko faz discípulos até hoje. Todos queriam Wilko. E foi Lee Brilleaux que deu o capital inicial (400 libras) para a criação da importantíssima Stiff Records, primeira a registrar toda essa cena.

Eddie & The Hot Rods
Depois do auge, em 1975, muitas bandas se desfizeram. Ian Dury seguiu uma maravilhosa carreira solo misturando reggae, rock e disco; Joe Strummer formou o Clash e os artistas solos continuaram tocando e gravando, sendo o mais conhecido no Brasil Elvis Costello. Muitas dessas bandas deixaram registrados apenas um disco.

O único sucesso gerado pelo pub rock que chegou às paradas foi “How Long” do Ace, um soft rock de primeira. Mas apesar do grande sucesso entre os jovens do Reino Unido, o pub rock não deixou hits nas paradas, não fez grandes vendagens (dizem que juntando tudo não chega a 500 mil cópias vendidas), não escreveu sua história junto a um grande público, mas deixou sua marca para sempre.















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